Google+ Confraria do Bruxo: Julho 2014

domingo, 27 de julho de 2014

A partir da Pedra


Ingressar na maçonaria, juntar-se a uma Loja maçônica não é um ato destinado à obtenção de quaisquer vantagens materiais ou sociais. O ingresso na Maçonaria, a permanência numa Loja maçônica traz benefícios de ordem espiritual, moral, de aperfeiçoamento pessoal, de preenchimento do sentido da vida e plenitude na vivência do tempo que a cada um cabe neste plano da existência.

Dito de outro modo: o ingresso na maçonaria não se destina à obtenção de vantagens materiais ou sociais, prossegue o objetivo de nos ajudar a ser melhores e mais felizes

A vivência numa Loja maçônica é um contínuo e inesgotável ciclo de troca, de dar e receber. Cada um dá à Loja o que tem de útil para lhe dar e dela recebe aquilo de que ela dispõe, o que recebeu de todos, para fruição e aperfeiçoamento de cada um.

É dando a nossa quota-parte que criamos as condições para recebermos o nosso quinhão. Desengane-se quem porventura julga que o que interessa é "entrar" e depois basta aguardar que aquilo que esperamos e o que nos é inesperado nos caia nos braços! A Maçonaria tem uma curiosa caraterística: tudo proporciona, mas nada dá. 

Trocando por miúdos: a Maçonaria proporciona um meio, um ambiente, um método, uma cultura, um grupo, tudo disponível para que cada um de nós utilize em prol do seu aperfeiçoamento, do seu crescimento, da sua evolução. Mas faz só isso - e muito é! Cabe a cada um fazer pela sua vida e mergulhar no meio, viver o ambiente, utilizar o método, apreender a cultura, inserir-se no grupo, e com isso lograr melhorar, desenvolver-se, crescer, viver melhor, em suma, ser melhor.

O trabalho, o esforço, a vontade, são sempre individuais. O auxílio, a orientação, a envolvência, esses sim, advêm da Instituição, da Loja, do grupo.

Assim, a entrada na Maçonaria, a iniciação numa Loja, não é mais do que um prelúdio, um momento - marcante, sem dúvida! -, uma condição necessária, mas não suficiente para que o objetivo do desejado aperfeiçoamento seja obtido. Esse ato marca apenas o começo do trabalho, o início da caminhada, o plano de partida. O maçom, a partir dessa base, primeiro amparado pelos seus Irmãos, que decidiram acolhê-lo no seu grupo, depois guiado e orientado por eles, finalmente por si só, fará depois o trabalho que entender, seguirá o caminho que escolher, chegará ao plano a que conseguir chegar. Nada, a não ser condições e conselho, lhe é dado. Tudo o que cada um obtém resulta do seu esforço, do seu trabalho.

A maçonaria e a vivência em Loja têm ainda uma outra interessante caraterística: é dando que se recebe e quanto mais se dá, mais se obtém.

Porque sempre que o maçom dá um pouco do seu esforço, efetua uma investigação, organiza algo, executa uma tarefa, ajuda um Irmão, está a aprender algo, a aprimorar-se nalgum aspeto. Finda qualquer tarefa, ultimado qualquer projeto, não é só o que se fez que ficou feito; quem o fez também ficou melhor, seja porque aprendeu, seja porque exercitou, seja pelo que relacionou ou relacionará e lhe permitirá ir mais adiante, ou aprofundar algo mais, em si, no que sabe ou no que investiga ou busca.

O resultado do trabalho de um maçom é por ele disponibilizado ao grupo, à Loja, e todos com isso beneficiam, ao menos conhecimento ou uma nova visão ou conceção do que já conhecem. Mas o maior beneficiário é quem fez o trabalho, que no final dele será sempre, um pouquinho que seja, melhor, mais ilustrado, mais conhecedor, mais preparado, mais capaz, do que estava antes de iniciar a tarefa.

Quem frequente uma Loja apenas para ver o que acontece, o que lá se passa, o que é dito e apresentado, muito pouco rendimento tira do seu tempo. Quem participa, colabora, auxilia, sugere, pensa, toma a iniciativa de propor ou de fazer, esse, sim, ao fim de cada ano sente que é diferente, melhor, mais capaz, do que era no ano anterior. E entende que, prosseguindo nessa linha, certamente é, no momento, pior do que será no ano seguinte.

O maçom ativo aprende que dar, trabalhar, fazer, tomar a iniciativa, ajudar, cooperar, são tudo atos do mais inteligente dos egoísmos, pois tudo, bem vistas as coisas, redunda no seu próprio benefício.

Claro que isto não é compreendido por quem vive (ou sobrevive) apenas para o dinheiro, os bens materiais, a passageira consideração social. Por isso a Maçonaria não é para todos. Mas isso não é nenhum segredo...


Texto: Rui Bandeira 

Vós Sois as Mãos de Cristo


Cristo não tem atualmente sobre a terra nenhum outro corpo se não o teu;

Outras mãos senão as tuas;


Outros pés senão os teus;


Tu és os olhos com os quais a compaixão de Cristo deve olhar o mundo;


Tu és os pés com os quais Ele deve ir fazendo o bem;


Tu és as mãos com os quais Ele deve abençoar os homens de hoje...


"Santa Teresa D'Ávila"

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CARTA MAGNA DA UMBANDA


Atualizada dia 04/072014 com apoio de mais de 4 mil templos espalhados pelo Brasil, Federações, conselhos jurídicos e antropólogos. Contribuição especial do Conselho Sacerdotal do SOI - Superior Órgão de Umbanda Internacional.

A Umbanda é uma religião que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as Suas perfeições.
Cremos na existência dos Sagrados Orixás, responsáveis diretos por toda a criação do universo e sustento do planeta Terra. Não são deuses, mas sim denominações humanas para uma classe de Poderes Reinantes do Divino Criador.
Cremos na existência e comunicação mediúnica, através de medianeiros preparados para tal tarefa, em trabalhos caritativos em atendimentos fraternos dos Guias Espirituais, os Espíritos Tutelares, também conhecidos como Espíritos Santos de Deus ou Santas Almas Benditas.
Dando por verdade que a Umbanda teve contribuições positivas das religiões e/ou filosofias Espírita, Indígenas, Africanas e do Catolicismo popular, aceitando tudo o que é bom e rejeitando tudo o que não se coaduna com as necessidades espirituais religiosas do conceito Umbandista, entende-se que a Umbanda não se submete a nenhum dogma relacionado às religiões ou filosofias citadas, sendo livre de interferências.
Cremos em Jesus (sincretizado com Oxalá), incondicionalmente, sendo Ele o pilar central da Umbanda, pautando o aspecto doutrinário embasado nos seus ensinamentos, seguindo o que foi anunciado pelo FUNDADOR DA UMBANDA o Caboclo das Sete Encruzilhadas, nos ensinamentos dos Espíritos Crísticos, os Mestres do Amor, como via evolutiva para se chegar a uma espiritualidade superior.
Possui sacramentos e ritos próprios de batismo, casamento e fúnebre.
A Umbanda é uma religião de “Culto à Caridade”. Dá ênfase à simplicidade dos rituais, que permite a dedicação integral do tempo das sessões em atendimento fraterno aos que a ela recorrem. Nos atendimentos fraternos está o assistencialismo da Umbanda, sempre de forma caritativa.
Cremos na existência de sítios vibratórios da natureza (praias, matas, cachoeiras, pedreiras, montanhas, campos, lagoas, fontes, jardins, etc.), por onde os Sagrados Orixás manifestam-se energeticamente com mais intensidade, emanando magnetismos necessários à nossa sobrevivência, e aonde vamos constantemente promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e captação de energias sublimes, nos reequilibrando com as forças da Mãe Natureza. A Umbanda reverencia a Mãe Natureza, por ser nela que se encontra a mais pura manifestação Divina e também porque vamos buscar e nos harmonizar com as forças ali reinantes, sustentadoras de toda a forma de vida planetária, atraindo ainda forças do universo para complementar tais vibrações já existentes em nosso planeta, unindo assim, poderosas forças divinizadas existentes nos planos espirituais.
Os principais ritos da Umbanda são realizados através de orações, pontos cantados, que podem ser ritmados através de instrumentos musicais.
Realiza descarregos, com o uso de ervas em defumações, em banhos, em amacis e no uso ritualístico do tabaco. Tem ainda nos elementos minerais, formas condensadas de energias que são aproveitadas nestes ritos, tais como: pedras, cristais, metais, incluindo a energia essencial dos quatro elementos básicos da natureza.
A Umbanda atua na elevação e educação religiosa e na evolução dos espíritos, praticando trabalhos que visam ao progresso do ser humano, direcionando a reforma íntima por meio dos postulados de Jesus que são ensinados pelos guias espirituais que se manifestam nos templos de Umbanda.
Entende-se que a religião de Umbanda é genuinamente brasileira, com duas características em sua origem:

Primeira: É milenar porque seus fundamentos são os mesmos que presidiam o reencontro com Deus desde o início da raça humana em nosso planeta.
Cósmica porque seus fundamentos culminaram com a união preconizada pelo Movimento Umbandista dos quatro pilares do conhecimento humano, que são: Filosofia, Ciência, Religião e Arte.
Evolutiva em suas manifestações porque a Umbanda se manifesta em seu dia a dia, utilizando todos os recursos positivos existentes no ontem, no hoje e com certeza usará os que vierem no amanhã.
Crística porque os seus aspectos, princípios, postulados e finalidades estão calcados nos ensinamentos dos Mestres da Luz, principalmente no Mestre Jesus, sendo a manifestação e a vivência do Evangelho Redentor, aceitando tudo o que é bom e rejeitando tudo o que não eleva e encaminha ao crescimento e desenvolvimento do ser humano.
Brasileira em suas origens. Como prática religiosa, surgiu e se desenvolve no Brasil e hoje também em todo o mundo.Congresso fase Internacional – Informações:

Segunda: Que foi instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de Novembro de 1908, em Neves/Niterói, anunciando pela primeira vez o termo “Umbanda”, como designativo de religião. Na mesma noite, revelou-se um Guia Espiritual, apresentando-se como Pai Antônio: era a presença de um Preto-Velho, a sacralização de um representante “africano” na Umbanda.
Umbanda é sinônimo de prática religiosa e caritativa, não tendo cobrança abusiva como uma de suas práticas usuais; não se permite retribuição financeira pelos atendimentos fraternos ou pelos passes realizados. Damos de graça o que de graça recebemos. Mas é lícito o chamamento dos médiuns e das pessoas que frequentam os Terreiros no sentido de contribuírem para a manutenção do mesmo ou para a realização de eventos de cunho religioso e assistencial aos mais necessitados. Vivemos para a Umbanda, porém precisamos criar mecanismos, como qualquer religião, de proporcionar o crescimento de nossos templos. Outrossim, visando à manutenção, ao conforto e ao bem estar dos seus frequentadores, a critério de cada templo, é facultada a cobrança de contribuições, bem como para trabalhos especiais. Por ética, baseando-se na ação caritativa, a Umbanda não aceita cobranças indevidas dessas contribuições, que devem ser espontâneas e de bom senso.
A Umbanda não pratica o corte ritual de animais (embora o compreenda e respeite como fundamento de outras religiões, inclusive com o tradicional aproveitamento para ceia comunal) quer para assentamentos espirituais/vibracionais, quer para homenagear Orixás, Guias Espirituais, Exus e Pombas-Gira, quer para fortificar mediunidades, ou mesmo em processos ofertatórios ou demandatórios para obtenção de favores de qualquer ordem, pois recorre às orações, descarregos (desobsessões), ou, se preciso, oferendas votivas de flores, bebidas, frutos, sucos, chás, alimentos, incensos, velas, ou seja, produtos naturais e de elevada vibração em manipulações espirituais/vibracionais, isentas de materiais de energia vibratória densa, uma vez que um dos objetivos da Umbanda é elevar e sublimar o Espírito dos seus iniciados e assistidos, levando-os a compreender e interiorizar a Verdade de que o Espírito é superior à Matéria. Reforma íntima, fé, amor, orações são os principais fundamentos religiosos da Umbanda, e suas práticas ofertórias são isentas de materiais de densa frequência vibratória. A oferenda votiva, além de operação espiritual/vibracional, é também uma reverência espontânea aos Sagrados Orixás e é recomendada a sua prática aos seus fiéis.
A Umbanda reconhece as derivações oriundas de seu cruzamento com outras religiões, ocasionadas pela diversidade religiosa no Brasil. Várias vertentes da Umbanda foram se formando e consolidando com o passar dos anos, agregando a elas mesmas práticas oriundas de outras religiões, sendo, entretanto, todas galhos de uma mesma árvore e, desse modo, a Umbanda se posiciona totalmente contra qualquer forma de discriminação a elas, em conformidade com a lei 7.716 de 5 de janeiro de 1989, alterada pela Lei nº 9.459, de 15 de maio de 1997, e ao conjunto da legislação vigente sobre esse tema.

A UMBANDA É: DOAÇÃO, CARIDADE, COMPROMISSO, PROSPERIDADE E HUMILDADE.

Doação
A Umbanda tem no voluntariado a forma de crescimento natural da religião, onde a participação é fundamental. É por meio da doação que o medianeiro aprende a valorizar seu templo e socializa-se com seus irmãos.
Caridade
A ação caritativa é uma das formas de elevação do espírito. Fora da caridade não existe a compreensão da missão evolutiva do religioso de Umbanda. A caridade é a expressão máxima do aprendizado religioso em sua plenitude pelo médium de Umbanda.
Compromisso
A Umbanda tem no médium compromissado com o bem, com a verdade, com a lealdade, com a caridade, com a entrega pessoal, com o respeito, a essência do verdadeiro religioso como forma de evolução.
Prosperidade
Dizem os Espíritos: “Conquistarás tudo com o suor do teu rosto”. Ainda nos alertam: “Não venham pedir à espiritualidade aquilo que é da sua competência”. A prosperidade se dá pela honestidade, pelo esforço, conhecimento e trabalho individual, onde, amparado por sua fé e merecimento, o indivíduo conquistará seus objetivos.
Humildade
O religioso de Umbanda tem como base espiritual sua humildade, entendendo que ele, médium, não é melhor que ninguém, mas, sim, tem uma responsabilidade maior e um compromisso como instrumento da espiritualidade em transmitir as mensagens de Luz passadas pelos planos elevados. Na Umbanda existe uma hierarquia espiritual que orienta os trabalhos, com Dirigentes Espirituais, Médiuns e Auxiliares; porém, todos sabemos que no plano material somos em todos os momentos aprendizes e professores e todos nós estamos em constante aprendizado, não sendo ninguém melhor do que o outro, apenas com funções e responsabilidades diferentes. Entendemos que quem deve ser vangloriado é Deus e a espiritualidade de Luz, nunca o medianeiro!

PRECONCEITO ÉTNICO
A Umbanda é uma religião brasileira e, assim como seu povo, miscigenada, existindo a representação de várias etnias. A Umbanda é o exemplo inter-étnico e responde por ela mesma, pois tem em sua base o negro, o indígena e o europeu. Mostra-se como exemplo de cultura e educação, coibindo qualquer forma preconceituosa. O racismo é, antes de tudo, uma demonstração de atraso espiritual e desconhecimento das leis divinas. Aquele que diminui ou persegue o irmão pela cor da pele ou por qualquer outra característica étnica, viola o grande mandamento, síntese de toda a lei e dos profetas, "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

ORIENTAÇÃO SEXUAL E IDENTIDADE DE GÊNERO
Na Umbanda todo ser humano é visto como irmão (ã) espiritual, sendo aceita qualquer orientação sexual e identidade de gênero. Assim a religião entende e acolhe espíritos, e não o gênero ou a sexualidade. Discriminação e preconceito não são ensinados pelos nossos guias, entendendo que a Umbanda acolhe a todos. Encarnamos com propósitos e meios para alcançá-los, sendo fundamental respeitarmos a condição de cada indivíduo. Homossexualidade e transexualidade são somente questões de foro pessoal.
CASAMENTO
Para a Umbanda, tão bela quanto a sabedoria de Deus transmitida pelos Guias Espirituais e nossa missão para com Eles, conosco e com o próximo, é o sacramento do casamento. Os encontros espirituais de dois seres carnais contribuem para os alicerces da sociedade, assim como para todas as religiões existentes. O casamento deve se dar por amor e livre arbítrio, onde o casal é orientado e acolhido também espiritualmente. Para a Umbanda é irrelevante o fato da homossexualidade, da transexualidade ou de uma das partes não ser propriamente umbandista. Reservamos a todos direitos iguais de matrimônio sejam heterossexuais, homossexuais, transexuais e casais onde um dos cônjuges é de uma orientação religiosa diferente. Unimos espíritos em sua base carnal passageira, sem impor quaisquer condições financeiras e étnicas. Compreendemos que o casamento religioso é a base espiritual para uma família e tanto o corpo mediúnico quanto a assistência têm o direito a este sacramento.

ADOÇÃO
Nosso posicionamento não é apenas favorável, mas também incentivador à adoção. O acolhimento físico, moral e espiritual daquele a ser adotado, sempre levando em consideração as condições dos pais, é o de dar-lhe respeito, carinho, amor e proteção, para o resgate da criança/do adolescente e sua inserção nos princípios de cidadania, tornando-o um ser humano consciente de suas responsabilidades e voltado para a prática do bem. Nosso respaldo é que este ser humano (assim como aqueles que serão seus pais) precisa de compreensão de sua condição humana e espiritual. Acreditamos no mesmo direito por parte de pais e mães homossexuais e transexuais, pois a amplitude desse ato não se reserva à condição sexual ou de gênero, e sim ao resgate cármico em condições tanto materiais quanto emocionais para a educação da criança e do adolescente. Preservamos a vida e o respeito, em todas suas formas de atos e manifestações.

DIVÓRCIO
Enquanto conselheiros espirituais, não incentivamos o divórcio; porém não compactuamos com o relacionamento aparentemente feliz, mas com o espírito abalado pelo ódio, sofrimento, falta de amor, que, por muitas vezes, pode causar riscos à integridade física, moral e espiritual a um dos cônjuges ou ao casal, e, por consequência, traumatizar familiares, filhos e amigos. Bem se sabe que o próprio Jesus nunca celebrou um casamento ou impôs regras para tal sacramento. Isso se dava por afinidade mútua das pessoas, baseadas em lealdade, respeito e amor. O casamento indissolúvel foi criação posterior, por outros preceitos religiosos. Dentro da Umbanda, acreditamos que o carma do casal pode ser breve ou durar uma vida inteira, de acordo com o que sua própria missão espiritual determina, e não somos nós que vamos impor uma convivência de infelicidade ou violência. O casamento em âmbito espiritual deve ser por livre escolha, preservando a integridade do ser humano, jamais sendo proibido para, em sua jornada, encontrar aquele (a) que possa ser seu (sua) companheiro (a) até o desencarne ou após. Assim como possuímos em nossa caminhada um carma a ser executado, também será no matrimônio, assegurando o direito àqueles que já se divorciaram de novamente celebrar este sacramento na religião de Umbanda.

CRIANÇAS NA UMBANDA
Assim como as sessões umbandistas recebem as falanges dos Erês (Ibejada) e reconhecem a sua inocência como importante missão de transmitir a médiuns e assistidos a alegria pura da vida na vibração desta poderosa força infantil, assim reconhecemos as crianças levadas às sessões como importante processo de sua própria formação espiritual, garantindo a elas o direito do conhecimento dentro da Umbanda da palavra de Nosso Pai Oxalá da Umbanda, sincretizado com Jesus Cristo, com sua magnitude em Deus e nos Orixás, para o atendimento mediúnico, para batizado, passes e desenvolvimento, o respaldo moral, físico e espiritual contra todas as formas de violência. Incentivamos a criança para que ela reconheça desde cedo sua importância, seu valor e seu caráter, concedendo a ela o direito de livre escolha pela sua pureza, mas trabalhando dentro de nossas crenças, para que tenha amparo sempre. As crianças possuem uma capacidade muito maior de absorver e compreender informações; assim como todas as crenças, reservamos a elas, nosso futuro. Por isso é dito: ninguém nasce odiando, isso é repassado durante a formação da personalidade. Devemos ensinar a amar. Esse é nosso objetivo com nossas crianças.

IDOSOS NA UMBANDA
Assim como a Umbanda presta reverência redobrada aos chamados Orixás “decanos” ou “mais velhos” (em especial, Oxalá, Obaluaê e Nanã) e aos Pretos-Velhos, preconiza o respeito, o amparo e a assistência aos idosos, no âmbito familiar e social, com base no amor, na caridade, no reconhecimento e na legislação em vigor, em especial o Estatuto do Idoso.

PRESERVATIVO E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
Acreditamos na espiritualidade e respeitamos a vida. Partindo deste princípio, apoiamos o uso do preservativo, como meio de proteção contra DSTs - Doenças Sexualmente Transmissíveis - e prevenção de uma gravidez indesejada, pois gravidez e a geração de um filho devem ocorrer quando estamos preparados para ela, dada a nossa responsabilidade com o ser que virá. Quando se trata de reprodução, é da escolha do ser humano ter filhos, de acordo com seu livre arbítrio e suas condições emocionais, financeiras e mesmo de saúde.
Defendemos que cada qual deve saber e escolher o momento de gerar um novo ser, com o espírito acoplado de seu carma, que necessitará de compreensão, educação e discernimento ao longo de sua vida.
Lembramos que, com este lindo momento, vêm necessidades básicas de alimentação, saúde e condições financeiras para criar o bebê.
Salientamos a importância do uso de métodos contraceptivos para prevenção, um modo de proteger a vida, não da vida. O uso do contraceptivo é aceito pela religião da Umbanda, respeitando o livre arbítrio, fundamental para o poder de escolha da mãe que irá gerar a criança, o controle de natalidade e o planejamento familiar.

DROGAS
Todos que recorrem aos Terreiros de Umbanda encontrarão o lado assistencialista. O dependente químico deve ser tratado sem aspectos preconceituosos, tendo total assistência por parte da religião de Umbanda.
A Umbanda respeita a vontade do indivíduo em buscar e aceitar o tratamento espiritual.
Devem ser observados e respeitados nos tratamentos o lado psicológico, o comprometimento químico e atenção espiritual para o dependente e sua família.

EUTANÁSIA / DISTANÁSIA/ ORTOTANÁSIA / SUICÍDIO / HOMICÍDIO/ ASSASSINATO
A Umbanda, por valorizar a vida, nos aspectos terreno e espiritual, entende que a passagem deve ser natural, respeitando a Lei do carma e aprendizados importantes ao Espírito.
Só o Criador, através de Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência, sabe o momento do desenlace carnal daquele indivíduo.
Mesmo no caso em que a morte é inevitável e em que a vida não é abreviada senão por alguns instantes, a Eutanásia é sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Divino Criador.
Práticas que atentam contra a vida, humana ou animal, não são aceitas pela Umbanda.
Homicídio cometido por um agente público ou profissional (segurança ou policial) no exercício de sua profissão não possui ônus espiritual sob tais fatos, onde o Estado passa a ser responsável. Nesse caso podemos muitas vezes entender que o profissional é apenas um agente da espiritualidade executando as leis do Carma.
Distanásia, do ponto de vista clínico e espiritual, não fere o conceito religioso de Umbanda pelo fato de tentar prolongar a vida do ser.
Ortotanásia não fere os conceitos religiosos e espirituais, pois é a morte natural do ser sem a utilização de meios artificiais ou qualquer interferência humana.

ABORTO
A Umbanda é contra a prática do aborto.
Na Umbanda entende-se que a partir da concepção já existe vida, um Espírito que anseia por sua evolução.
As observações dos resgates espirituais, por meio dos acontecimentos, necessitam ser levados em consideração.
Há falta sempre que transgredimos a Lei de Deus. Um pai e uma mãe, ou quem quer que seja que provoca o aborto, em qualquer período da gestação, cometerá transgressão sempre que tirar a vida de uma criança antes do seu nascimento, porque isso impede o espírito de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.
Dado o caso onde o nascimento da criança coloque em perigo a vida da mãe, é preferível, por bom senso, manter a vida da mãe.
O aconselhamento direto com os Guias Espirituais é fundamental para que as ações sejam feitas sempre baseadas na espiritualidade.
Caso ocorra ou tenha ocorrido o aborto por decisão de qualquer natureza, a Umbanda, seguindo os postulados de Jesus Cristo, não condena, mas perdoa a ação.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A Umbanda não aceita qualquer forma de violência doméstica, atendendo aos parâmetros da legislação vigente com destaque para os Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, Leis de proteção à mulher e a Carta das Nações Unidas (ONU), onde os direitos da pessoa humana devem ser preservados, combatendo qualquer tipo de violência doméstica.

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE
A Umbanda defende o direito de igualdade, sendo que a mulher deve ocupar qualquer posição na sociedade, com o mesmo tratamento.
As mulheres na Umbanda estão em todos os níveis hierárquicos da religião, mostrando a toda a sociedade o exemplo a ser seguido. Entendemos que a religião de Umbanda é exemplo a todos os segmentos religiosos, pois valorizamos as mulheres em seu exercício sacerdotal, promovendo a igualdade de gênero.

PEDOFILIA / MAUS TRATOS
A Umbanda não aceita qualquer forma de ato que atente contra a criança e o adolescente, em especial os casos de pedofilia e maus tratos e defende que as leis já estabelecidas devam ser aplicadas.
Pessoas que possuem desvio de conduta podem estar sendo obsidiadas ou mesmo necessitam de acompanhamento psicológico, unido de orientação espiritual.

POSICIONAMENTO E ÉTICA EM RELAÇÃO À UMBANDA E OUTRAS RELIGIÕES
A Umbanda traz em si a base religiosa que deve ser respeitada. Amar, respeitar, não julgar, não caluniar, atuar sempre com verdade, na base do bem, da educação e da elevação.
O posicionamento ético em qualquer religião deve se basear em tais atributos, manifestado pelo verdadeiro religioso de Umbanda.
Sobre a questão inter-religiosa, a Umbanda respeita todas as religiões e busca o Estado Laico, não discriminando nenhum tipo de manifestação religiosa que vise ao respeito e à evolução do ser humano.
Cremos na afirmação de que as religiões constituem os diversos caminhos de evolução espiritual, que conduzem a Deus.

SOBRE OS MÉDIUNS E ASSISTIDOS
Os médiuns e assistidos em geral são vistos como religiosos e devem agir como tal, acreditando em Deus, nos Orixás e Guias Espirituais, possuir os atributos da Fé, amar seu semelhante, não julgar, jamais caluniar, ser um pacificador, estar a serviço do bem e jamais utilizar o seu conhecimento de forma torpe.
Esses atributos são posicionamentos éticos para todos que comungam da Fé umbandista.


EDUCAÇÃO ESCOLAR
A Umbanda indica a inclusão nas matérias de filosofia, história, sociologia, antropologia e outras o estudo da Carta Magna de Umbanda como fonte didática e como forma de inclusão social. Assim como as demais religiões, a Umbanda passa a ter um documento que esclarece de forma objetiva, seus postulados.

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
A Doutrina Umbandista vê com bons olhos a doação de órgãos.
Fazemos das palavras de Chico Xavier as nossas:
Perguntaram a Chico Xavier se os Espíritos consideram os transplantes de órgãos prática contrária às leis naturais.
Chico respondeu: “Não. Eles dizem que assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem utilidade para determinado amigo, e esse amigo, considerando a nossa penúria material, nos cede essa peça de roupa, é muito natural, aos nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com segurança e proveito”.
Mesmo que a separação entre o espírito e o corpo físico não tenha se completado, como nos casos de morte cerebral, a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos ao espírito doador. A doação de órgãos não é contrária às Leis da Natureza, porque beneficia outras pessoas e o próprio espírito do doador em sua evolução espiritual e, além disso, é uma oportunidade para que se desenvolvam os conhecimentos científicos no plano material, colocando-os a serviço de vários necessitados.
O mesmo se dá em relação À doação de sangue, medula e qualquer tecido orgânico que venha proporcionar ajuda ao semelhante. A Umbanda, assim como qualquer religião, necessita incentivar a prática de doação para amparar milhões de irmãos necessitados pelo mundo.

CREMAÇÃO
Nada aventamos fundamentalmente contra a cremação.
A cremação é legítima para todos aqueles que a desejam, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio. Esse período é necessário, pois existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda o Espírito solicita para as sensações da existência material.
O sepultamento ou a cremação nada mais representam, para a alma, que a desagregação mais lenta ou mais rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se libertou.

CONCEITOS – UMBANDA NA DEFESA DA NATUREZA, NO MUNDO E NO CAMPO JURÍDICO
A Umbanda é um conjunto de leis que regem a vida e a harmonia do Universo.
Como religião ou como ciência, na Umbanda, tanto na prática ritualística material como na esfera espiritual das comunidades umbandistas, só se conhece uma hierarquia: a da evolução de cada Espírito nos diversos planos da Criação e a vibratória estabelecida pelo mérito de cada um. A par do conhecimento perfeito da vida, a Umbanda aproveita o ambiente material fornecido pela vibração humana para abrir o verdadeiro caminho da sabedoria onde se aprende que a verdade ou a realidade final do Universo é imutável. Dentro da concepção de que o aproveitamento material fornecido pelo homem é força ativa indispensável à realização da Umbanda, sobre o médium é que repousa integral responsabilidade, somente excedida pela sua própria compreensão quanto à missão que lhe é, por escolha, concedida. A Umbanda é uma síntese expressiva de Amor, Sabedoria, Respeito, Tolerância e Renúncia, tal qual nos deparamos através do Evangelho de Jesus e dos ensinamentos Crísticos, através dos Mestres do Amor que militam na religião. O Umbandista dela se serve como meio de progresso e defesa, mas nunca como instrumento de ataque. Essa síntese de concepção atende tanto a uniformidade das comunidades Umbandistas, como diretamente fica subordinada às manifestações dos diversos planos de criação, quando emanadas de uma determinação superior, única e universal.
A Umbanda está em vários países, levando a paz e a elevação de uma religião que defende os direitos pela igualdade, respeitando a pluralidade de cada nação. As bases da “Carta Magna de Umbanda” são os princípios seguidos por religiosos de Umbanda pelo mundo.
A Umbanda, como religião ecológica, tem em seus seguidores os defensores da Natureza. Entendemos que os Sagrados Orixás manifestam-se magneticamente com mais intensidade nos sítios vibratórios da Natureza, onde vamos constantemente promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e captação de energias sublimes, nos reequilibrando com as forças da Mãe Natureza.
Observamos que não cabe a nenhum umbandista cultuar despachos que em sua composição estejam animais sacrificados.
As oferendas votivas realizadas pelos umbandistas no seio da Natureza, além de simples, são todas efetuadas com materiais biodegradáveis, que rapidamente se incorporarão ao meio ambiente. A religião de Umbanda defende a Natureza, preza pelas matas, mares, rios, cachoeiras, nascentes. Preza pela fauna e flora e contribui com isto com os tratados internacionais de preservação da natureza indicando a necessidade de meios de desenvolvimento que não a agridem.
Do ponto de vista administrativo jurídico, A Carta Magna de Umbanda defende a necessidade de organização jurídica e administrativa, no que diz respeito à organização dos Templos e Federações.

CANDIDATOS A POLÍTICA NA UMBANDA
A Umbanda exige que todo candidato que se apresente dentro da religião, concorde, se comprometa e assine documento público com o compromisso de seguir a “Carta Magna de Umbanda”, assumindo sua posição, expondo em seu próprio site, blog e em suas redes sociais e entendendo que este documento protege a religião de oportunistas e pessoas mal intencionadas.
Para tanto, a religião deve estar apontando qualquer tipo de possível desvio de comportamento do eventual representante da religião.
Seus representantes políticos se comprometem a não interferir na conquista de direitos individuais baseados em pressupostos religiosos da Umbanda.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Manifesto Fama Fraternitatis - Fraternidade Rosacruz


Circulado em manuscrito em 1610; publicado pela primeira vez em 1614, este Manifesto contém a biografia de um personagem mítico chamado Christian Rosenkreutz.

Nascido em 1378 de uma nobre linhagem germânica, "C.R.". Diz-se que ele viajou ao Oriente, pelo Islã e à Terra Santa, em busca de conhecimentos secretos, mas os encontrou em "Damcar, Arábia", onde "os sábios lhe receberam, não como um estranho, mas como alguém que aguardessem há muito tempo". Depois de uma estadia de três anos em Damcar, durente a qual traduziu ao latim um misterioso livro intitulado M, Christian Rosenkreutz empreendeu uma viagem a Fez, onde "se pôs em contato com os chamados elementais, que lhe revelaram muitos dos seus segredos". Após outras viagens, regressou à Alemanha, onde fundou a Fraternidade Rosa-Cruz, "composta a princípio por somente quatro pessoas, que elaboraram a linguagem e a escritura mágicas com um grande dicionário que ainda continuamos a utilizar diariamente, para louvor e glória de Deus".

Ele morreu com 106 anos, após ter lançado as bases dessa fraternidade que só se fará conhecer no início do século XVII. Teve por discípulos nobres viajantes que partiam em missões pelo Ocidente e Oriente: "Esse homens, dirigidos por Deus e por toda a máquina celeste, escolhidos entre os mais sábios dos vários séculos, viveram na mais perfeita união, no maior mutismo e na maior alegria".

O ensinamento de Christian Rosenkreutz está condensado em três manuscritos misteriosos, e apenas decifráveis por seus discípulos:

  • Axiomata (o mais erudito)
  • Rotae Mundi (o mais sutil)
  • Prothaeus (o mais útil)

Mas a lendária vida do fundador não teve tanta transcendência histórica como a sua suposta morte e o descobrimento da sua tumba. Segundo os folhetos, a localização da sepultura de Christian Rosenkreutz foi esquecida: "Nós, que fomos dos últimos, ignoramos quando faleceu o nosso amado pai R.C.". Mas ao serem realizadas uma obra na sede central da fraternidade, descobriu-se em uma parede um prego de bronze que, ao ser arrancado, revelou a existência de uma porta escondida, na qual apareciam inscritas as palavras POST CXX ANNOS PATEBO ("serei aberto depois de 120 anos"). Ao ser aberta a porta foi encontra uma cripta de sete paredes, e "embora naquela cripta nunca brilhasse o sol, estava iluminada por outro sol... no seu centro havia um altar redondo, coberto com uma tampa de bronze... Como ainda não tínhamos visto o corpo do nosso amado e sábio pai, movemos o altar para um lado; depois levantamos uma pesada tampa de bronze e descobrimos um corpo em perfeito estado de conservação". Além das paredes da cripta, os confrades encontraram livros, espelhos mágicos, sinos e candelabros de chama perpétua.
Haviam outras inscrições, algumas conhecidas:
"Ex Deo nascimur, in Jesu morimus, per Spirictum Sanctum reviviscimus" ("Nascendo de Deus, Morrendo com Jesus, ressuscitamos no Espírito Santo")"A.C.R.C. Hoc universale compendium vivis mihi sepulcrum feci" ("Mandei fazer este sepulcro, que para os vivos representará uma síntese di Universo")
Em 1622, os cartazes afixados em Paris anunciavam:
"Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela bondade do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

A declaração suscitou um grande alarido. Não se sabe quem respondeu àquele chamado, nem como foram acolhidos os pedidos e por quem o foram.
Essa declaração anônima causou um grande estardalhaço tanto na Corte como na cidade, conforme provado nas "memórias" e anais da época. Difundiram-se os boatos mais contraditórios. Julgar-se-á por este trecho extraído de Gustave Naudi, protegido de Richelieu:
"Eles (os rosa-cruzes) afirmavam que a doutrina de seus mestre era a mais sublime que se podia imaginar; que eles eram piedosos e sensatos ao mais alto grau; que, por revelação, conheciam aqueles que eram dignos a pertencerem à sua companhia, que não eram sujeitos à fome, nem à sede e tampouco à doenças; que comendavam os espíritos mais poderosos..."

Confessio Fraternitatis

O Confessio Fraternitatis é uma apelo aos sábios da Cristandade, a fim de que se dêem a conhecer a se unam numa obra comum, para reformar a Sociedade e estabelecer a Pax Profunda, aquela dos Estados e dos corações.

Esse manisfesto segue as mesmas linhas do Fama Fraternitatis que apareceu primeiro na Alemanha, na cidade de Kassel em 1615. Foi escrito em Latin e para a maioria, ele repete a mensagem do Fama, porém com mais paixão e detalhes. O Confessio oferecia alguns detalhes a mais de como se tornar membro da Fraternidade Rosacruciana e condenava aqueles que não aceitavam suas verdades. A parte mais interessante do Confessio é a seção que descreve sinais astronômicos (duas novas estrelas) que apareceram no céu no mesmo ano que a tumba de Christian Rosenkreutz foi descoberta. O autor do Confessio interpretou esses sinais como anúncios de uma nova era espiritual.

Basicamente, estes dois documentos contam a Lenda de Rosenkreutz. É bem possível que a intenção desses folhetos fossem a de estimular o espírito pesquisador e, por meio da alegoria, apoiar politicamente os protestantes do Palatinado. Mas são penas especulações. Se existiu ou não uma fraternidade denominada Rosa-Cruz, não importa. O importante é que o renascimento espiritual que constituiu o núcleo da Lenda e que exprime o que Jung chamava "uma verdade psíquica", um aspecto da realidade próprio da mente do homem ocidental, tenha existido ou não no mundo exterior. Com certeza, isto não quer dizer que não tenham existido ou não âmbito intelectual europeu que concedesse maior ou menor importância à história do "pai R.C.". No século XVII teve verdadeira importância, e a lenda inspirou muitos estudos, algumas fantasias e algumas poucas loucuras. Ao avançar o século, os eruditos inclinados a tais estudos foram cada vez menos; a mecânica de Newton e a filosofia de locke pareciam proporcionar as respostas a todas as perguntas que valiam a pena serem questinadas. Documentos Relacionados

  • Fama Fraternitatis
  • Confessio Fraternitatis
  • Casamento Alquímico - Novela alquímica com múltiplos sentidos, publicada em 1616 em alemão - Nele, o narrador, supostamente o próprio Christian Rosenkreutz, descreve sua experiência como convidado (não como noivo, como sugere o título) no casamento de um rei e uma rainha que moravam em um castelo maravilhoso.
Paz Profunda,

Abraços Fraternos